O Acto Europeu para o Oceano

A Europa tem finalmente uma estratégia para o oceano. Agora tem de transformar essa estratégia em ação.

Uma oportunidade histórica para dar ao oceano a lei abrangente e prospetiva que há muito lhe falta – e para estabelecer uma referência que o mundo poderá seguir. 

O oceano é a força vital da economia europeia, um sistema de suporte de vida e a sua primeira linha de defesa. Ainda assim, continua a ser um dos ativos estratégicos mais negligenciados do continente – governado de forma fragmentada, setor a setor, sem uma única lei que una as diferentes peças. 

É tempo de colmatar essa lacuna. O oceano começou a ultrapassar pontos de não retorno; os mares regionais da Europa continuam em más condições; os ecossistemas estão esgotados; e a competição por rotas, recursos e dados intensifica-se. O Ato surge precisamente quando a Europa está a ser testada em áreas como a sua segurança, competitividade e autonomia estratégica – e grande parte da resposta está no mar.

O Apelo Central

Uma liderança europeia para o oceano no século XXI 
O Ato é a oportunidade de uma geração – demasiado rara para se reduzir a uma correção técnica. Se bem utilizado, pode dar à Europa uma verdadeira lei para o oceano: uma visão exequível e ambiciosa para a governação europeia do oceano, muito para além de uma reforma da Diretiva do Ordenamento do Espaço Marítimo. O ordenamento do espaço é uma ferramenta indispensável, mas não uma estratégia. Como a lei de enquadramento que poderia ser, o Ato pode colmatar as lacunas que o ordenamento nunca conseguiu: 

Conectar.  O oceano em todas as políticas  
Deixar de tratar o oceano como uma questão setorial. Deve atravessar todo o quadro de políticas – comércio, energia, defesa, alimentação, cultura, digitalização – e ser abordado de forma coerente em todas elas. 

Alinhar.  Um plano, prazos concretos  
Os objetivos da Europa para o oceano estão dispersos pelo quadro de políticas. Reuni-los num único registo hierarquizado, com metas calendarizadas para 2030, 2040 e 2050 e um mecanismo eficaz que as faça cumprir. 

Clarificar.  Um vocabulário comum  
Definir conceitos comuns – de modo a transformar áreas protegidas “de papel” em verdadeiras Áreas Marinhas Protegidas e a fazer com que “economia azul” signifique atividade que regenera o mar, e não que o esgota. Sem eles, 27 Estados-Membros produzem 27 resultados diferentes. 

Elevar.  Para além do ordenamento do espaço  
Partir da Diretiva do Ordenamento do Espaço Marítimo, mas ir mais longe – resolver o seu desajuste com a Diretiva-Quadro Estratégia Marinha, para que a forma como usamos o mar fique finalmente condicionada à recuperação da sua saúde. Uma ferramenta para mapear usos concorrentes passa a ser uma estratégia com rumo e força. 

O que o Ato pode oferecer

Para apoiar este apelo, a Fundação, em parceria com a Europe Jacques Delors, produziu seis documentos – os “Building Blocks for an Ocean Act” – que apresentam recomendações, sob cada uma das prioridades do Pacto, sobre aquilo que o Ato pode oferecer.

Do Pacto ao Ato 

Esta é a segunda fase de um caminho que a Fundação ajudou a pôr em marcha.  

Antes das eleições europeias de 2024, a Fundação Oceano Azul e a Europe Jacques Delors reuniram um grupo de reconhecidos especialistas europeus do oceano para redigir um Manifesto para um Pacto Europeu para o Oceano.  

O apelo foi ouvido, e em junho de 2025, na Conferência das Nações Unidas sobre o Oceano, em Nice, a Presidente von der Leyen e vários líderes europeus apresentaram o Pacto Europeu para o Oceano, a primeira estratégia holística do continente para o mar, assente em seis prioridades que vão da saúde do oceano à segurança marítima e à governação internacional.  

O Pacto deu à Europa uma visão comum para o mar. Falta-lhe ainda a força vinculativa para a concretizar.  

Anunciado para 2027, o Ato Europeu para o Oceano é a oportunidade de transformar essa visão em lei, com metas mensuráveis, ação coordenada e verdadeira responsabilização. Depois do Pacto, o Ato. 

Botão: Ler o BluePrint_Building an Ocean Union