As Ilhas Selvagens, localizadas no extremo sul do arquipélago da Madeira, albergam um dos ecossistemas marinhos mais prístinos do Atlântico Nordeste. Com uma história de proteção que remonta a 1971, quando se tornou a primeira reserva natural em território português, este conjunto de pequenas ilhas e recifes tornou-se, em 2022, a maior Área Marinha Protegida de Proteção Total do Atlântico Norte, com 2.677 km² de oceano sob proteção integral.
Um ecossistema vibrante no coração do Atlântico
As Ilhas Selvagens, situadas numa importante rota do Atlântico, ligam ecossistemas distantes e contribuem para a saúde oceânica a uma escala regional e global. Em 2015, uma missão conjunta da National Geographic Pristine Seas, da Fundação Waitt e da Fundação Oceano Azul documentou um ecossistema marinho equilibrado, resiliente e extraordinariamente bem conservado. Esta expedição foi determinante para reforçar o conhecimento científico e fundamentar a proposta de alargamento.

Em 2021, o Governo Regional da Madeira anunciou a ampliação da Reserva Natural das Ilhas Selvagens até às 12 milhas náuticas em redor do território, passando de 94,7 km² para 2.677 km² de proteção total. Esta medida posicionou Portugal e a Região Autónoma da Madeira na vanguarda da conservação oceânica na Europa e está alinhada com os compromissos nacionais e europeus no âmbito da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia para 2030, que apela a um aumento significativo da proteção marinha eficaz. Esta decisão pioneira teve por base anos de investigação liderada pelo IFCN – Instituto das Florestas e Conservação da Natureza, bem como dados científicos recolhidos em diversas expedições de investigação realizadas nos últimos anos.

Monitorizar para garantir a eficácia da proteção
Com a ampliação da área protegida, tornou-se essencial garantir a sua eficácia ecológica e a sua implementação prática. Nesse contexto, foi lançada em 2023 a Expedição “Selvagens 50”, com o objetivo de desenvolver um plano de monitorização a longo prazo da reserva marinha.
Organizada pelo IFCN, com a participação da Fundação Oceano Azul, esta missão reuniu várias equipas científicas no mar e em terra, para definir metodologias que acompanhem o estado de conservação das espécies e habitats da área.
Em janeiro de 2024, o Governo Regional da Madeira apresentou o relatório da expedição e o plano de monitorização da área, um passo decisivo na consolidação da gestão da reserva.

Uma contribuição decisiva para a proteção global do oceano
A proteção total das Ilhas Selvagens contribui significativamente para os compromissos internacionais de proteção de 30% do oceano até 2030 (30×30) e posiciona Portugal como um país líder em conservação marinha.
Esta ação demonstra que é possível conjugar liderança política, base científica robusta e colaboração entre parceiros para criar verdadeiros refúgios marinhos. Afirma-se como um exemplo global de como proteger o capital natural azul é essencial para garantir um oceano saudável para as gerações futuras.









