Açores I Expedições Científicas

À descoberta do segredo mais bem guardado do Atlântico

Em 2016 e 2018, decorreram duas expedições científicas nos Açores, promovidas pela Fundação Oceano Azul em conjunto com parceiros, com o objetivo de aprofundar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos do arquipélago e suportar a sua proteção. 

Promovidas pelo Governo Regional dos Açores, a Fundação Oceano Azul, o Instituto Waitt e a National Geographic | Pristine Seas, contaram com o apoio científico da Universidade dos Açores, do Instituto Hidrográfico, da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental e de vários cientistas nacionais e internacionais.

As duas expedições confirmaram a singularidade, diversidade e vitalidade da vida marinha açoriana — mas também a sua fragilidade. Os dados recolhidos foram fundamentais para apoiar a criação da nova Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores.

2016 — Primeira expedição ao grupo oriental dos Açores

Em setembro de 2016, a primeira missão científica centrou-se nos ecossistemas marinhos do grupo oriental das ilhas. Em colaboração com o Instituto Waitt, esta expedição destacou-se por vários avanços científicos e encontros memoráveis com a vida selvagem marinha.

Um dos momentos mais inovadores foi o método de marcação não-invasiva desenvolvido por Jorge Fontes — investigador açoriano do Okeanos-Universidade dos Açores e mergulhador livre — que criou sensores em forma de “colar” para as móbulas. Estes dispositivos incluíam ligações fusíveis que se dissolviam naturalmente, libertando os sensores à superfície, onde a equipa conseguia rastrear os movimentos das raias com localizadores de radiofrequência.

Outro momento marcante foi o contacto próximo com cachalotes, que acrescentou dados valiosos para a conservação destes grandes cetáceos e do ecossistema onde habitam.

© Manu San Félix

2018 — Uma missão alargada aos grupos central e ocidental

Em 2018, a Fundação Oceano Azul, o Waitt Institute, a National Geographic | Pristine Seas e o Governo Regional dos Açores organizaram uma expedição mais abrangente, envolvendo equipas multidisciplinares e tecnologias avançadas.

A missão utilizou veículos operados remotamente (ROV), telemetria acústica, sistemas de imagem de alta resolução e métodos como BRUV (câmaras subaquáticas com isco), dropcams de águas profundas e recolha de amostras para estudar os ecossistemas costeiros, pelágicos e de grandes profundidades.

Entre os destaques, a descoberta de um campo hidrotermal a 570 metros de profundidade, nas encostas do monte submarino Gigante, batizado “Luso”, foi um marco científico da expedição.

As equipas focaram-se em cartografar habitats críticos, identificar ecossistemas vulneráveis, estudar a biodiversidade e recolher parâmetros ambientais que revelassem a complexidade ecológica do mar dos Açores.

Da ciência à ação

Os relatórios científicos resultantes destas expedições forneceram recomendações concretas sobre os ecossistemas marinhos açorianos. Estes dados sustentaram o processo de definição da nova Rede de Áreas Marienhas Protegidas dos Açores, oficialmente criada em 2024 — a maior do Atlântico.

Esta rede representa um marco histórico na conservação do oceano, assegurando que a proteção marinha da região é baseada em conhecimento científico sólido.

© Nuno Sá

Parceiros

Estas missões científicas só foram possíveis graças à dedicação de uma aliança de parceiros que conjugaram experiência, tecnologia e conhecimento em prol da proteção do oceano açoriano.

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