As Ilhas Selvagens são um marco na história da conservação marinha em Portugal e no mundo. Situadas no ponto mais a sul do território nacional, este pequeno arquipélago tornou-se, em 2022, a maior Área Marinha Protegida com proteção total do Atlântico Norte, com 2.677 km² de oceano totalmente salvaguardado contra atividades extrativas.
Este estatuto de proteção integral é o culminar de décadas de esforço científico, compromisso político e visão ambiental. As Selvagens representam um verdadeiro laboratório natural, onde é possível estudar a vida marinha em equilíbrio, e um exemplo global de como áreas remotas podem liderar a agenda da conservação marinha.

Duas expedições científicas — em 2015 e 2023 — contribuíram de forma determinante para aprofundar o conhecimento sobre esta área e para consolidar o alargamento da sua proteção.
Expedição National Geographic Pristine Seas | 2015

Organizada pela National Geographic Pristine Seas, em colaboração com o ISPA Instituto Universitário – Portugal, o Waitt Institute e a Universidade de Western Australia, esta missão pioneira avaliou o estado dos ecossistemas marinhos das Ilhas Selvagens, incluindo zonas costeiras e áreas profundas.
A expedição concluiu que as Selvagens são um dos ecossistemas marinhos mais bem preservados da Macaronésia, com elevada biodiversidade, abundância de peixes e ausência de sinais de degradação humana.
A participação da Fundação Oceano Azul nesta missão integrou-se num esforço conjunto para defender a expansão da área protegida para além da batimétrica dos 200 metros. Os resultados obtidos foram fundamentais para recomendar a proteção total das águas envolventes, e alargar a discussão pública sobre a importância e os benefícios das Áreas Marinhas Protegidas com proteção total.
Expedição Selvagens 50 | 2023

Integrada nas celebrações dos 50 anos da Reserva Natural das Ilhas Selvagens, esta missão envolveu 40 investigadores de 28 instituições, sob a liderança do Instituto das Florestas e Conservação da Natureza (IFCN), com apoio logístico dos navios Santa Maria Manuela e Goldmund.
O objetivo foi criar um Programa de Monitorização Científica a longo prazo, para acompanhar o estado de conservação de espécies e habitats marinhos. A Fundação Oceano Azul integrou o estudo sobre as comunidades subtidais de ictiofauna, macroflora e macrofauna, contribuindo para caracterizar a biodiversidade marinha entre os 10 e os 20 metros de profundidade.
Realizada após a decisão da Região Autónoma da Madeira, em 2022, de alargar a área e regime de proteção das Ilhas Selvagens, a expedição de 2023 veio reforçar a base científica desse compromisso e assinalar um novo ciclo de monitorização, garantindo que esta Área Marinha Protegida continua a ser acompanhada, valorizada e gerida com base em evidência científica.

Um legado para o futuro do oceano
As Ilhas Selvagens são um símbolo daquilo que é possível alcançar quando a ciência, a política e a sociedade convergem para proteger o oceano.
A sua proteção total representa uma contribuição decisiva para a meta global de conservar 30% do oceano até 2030, e posicionamento de Portugal como referência mundial em conservação marinha.
Estas expedições mostram que a investigação é a base da ação e que o conhecimento é a melhor ferramenta para proteger os ecossistemas mais valiosos do nosso planeta azul.



















